Dois apaixonados: em Buenos Aires e por Buenos Aires

Vamos dar uma pausa no México e falar um pouco sobre Buenos Aires, onde meus cunhados amados passaram alguns apaixonados dias de junho. Como ótimos jornalistas que são, o depoimento ficou maravilhoso e com gostinho de meu próximo destino!!!

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“Buenos Aires é, afinal, uma surpresa. Colada no rio da Prata, cercada de vento e muita história, lembra um pedaço da Europa no continente sul-americano. Tem bairros que parecem em muito a Itália e suas construções de arquitetura típica, os fios pendurando luminárias e as ruas de calçamento. Os carros estacionados de maneira caótica, botequins abertos a cada metro. Noutros pontos lembra paisagens do centro de Paris e Londres. Mesas na rua, calçadas largas, parques, árvores e até um quê da vida do outro lado do continente. Menos latinidade e mais frieza. E é totalmente bem estruturada e segura para turistas que viajam com pouco dinheiro para torrar, mas com grana contada para boas noites de boemia.

No centro, perto do Obelisco e da Casa Rosada, sede da libertação e do poder na Argentina respectivamente, tudo é viável. As ruas e calçadas são largas e o transporte público funciona muito bem. E foi pertinho dali, na Plaza de Mayo, que tivemos uma experiência bem emocionante. Toda quinta-feira, há 38 anos, as Madres de la Plaza de Mayo reúnem-se para protestar pelas mortes e desaparecimentos de seus filhos e parentes ocorridos durante a ditadura militar argentina. De tirar o fôlego.

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O mapa do metrô (Subte lá) consegue te levar para a Recoleta e Palermo (Soho e Hollywood), bairros mais caros e atrativos, com muita facilidade. Para a Bombonera e o Caminito, o indicado é um ônibus que passa perto da Casa Rosada, o 29 (cuidado para pegar o 29 que está escrito Caminito), que para ao lado do estádio e do quarteirão colorido. No centro também estão os teatros, muitas livrarias, cafés, Starbucks e Havanas por todos os lados e vários argentinos tentando trocar dinheiro. Principalmente na rua Florida. À luz do dia.

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E foi perto da Florida que ficamos hospedados, na rua Esmeralda. Boa dica para quem visita a cidade pela primeira vez, já que a localização é estratégica e é possível fazer quase tudo a pé, conhecendo a Buenos Aires tradicional. Para os viajantes de plantão, que já visitaram a cidade e deram um check nas visitas turísticas, uma boa ideia é ficar em Palermo.

Palermo respira arte. É de suspirar só de pensar. As livrarias, os cafés e os bares são mais descolados e bebem da verdadeira cultura de Buenos Aires. É parte da cidade em que se expressa o argentino como um sujeito romântico (no sentido de admirador), com um livro pra ler na mão e cercado de música boa, os melhores cafés e vinhos. Palermo é particularmente encantador. Dá pra passar ao menos um dia inteiro circulando nas vielas, entrando nos lugares e voltando por ruas que até então você não tinha notado. É onde todos os sentidos se encontram. Os cheiros, as texturas, os grafites, os pequenos encantamentos. E um pouco abaixo estão o Jardim Botânico, o Jardim Zoológico e o Planetário, além de outros imensos parques lotados de passeadores de cachorros e muita gente lendo.

A região é para nós o melhor de Buenos Aires, juntamente com a Recoleta e Puerto Madero. A Recoleta é um bairro com vários comércios, muitos prédios residenciais e restaurantes por todos os lados. É um bairro com ótima qualidade de vida. Vale passar um dia inteiro circulando pelas ruas, entrando nas galerias e na livraria Gran Ateneo, que tem 5 andares e um estilo grego ímpar. Era um cinema de rua há 100 anos. O Cemitério, reduto dos grupos de turistas, não compensa. A não ser se o turista seja mesmo admirador de mausoléus. No mais, ele apenas reserva uma “ostentação pós-morte” e pode representar um caminho religioso. Nós optamos passar rápido por ele e ficar mais tempo na feira que ocorre do lado de fora e na galeria de design que é ao lado. Há alguns museus bem perto também.

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Já Puerto Madero é para gastronomia e passeios noturnos. São vários restaurantes (preço um pouco mais salgado) por todas as duas orlas (antes e depois do rio) e alguns bares. Indicamos o bar Johnny Be Good, lotado nos happy hours. Ótima comida e direito a double. É uma ala pequena e bem nova da cidade, e pode ser visitada a pé por quem estiver hospedado no centro. É uma caminhada de 15/20 minutos.

E a parte mais histórica, San Telmo e Caminito, de colonização italiana, reservam algumas coisas meio chatas. San Telmo tem uma feira popular aos domingos que vive lotada e até dá pra encontrar uma ou outra coisa diferente e legal. E é lá que está a Mafalda no banco. Já o Caminito é extremamente modelado para turistas. As construções pintadas inspiram fotos legais, mas a todo o momento você é interpelado por alguém tentando vender alguma coisa (nem que seja uma foto com o sósia do Maradona).  E os restaurantes são caros. As pessoas são meio rudes e, se você sair da rota, é perigoso. Ali ao lado está a Bombonera, que só vale pra quem é aficionado pela história do Boca Juniors. A visitação permite acesso a um museu não tão legal assim e ao campo, que é a parte mais fiel de tudo.

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Mas o melhor de Buenos Aires é reparar em cada local, nos costumes e no modo de viver das pessoas. É uma cidade acolhedora para os turistas porque abre diversas possibilidades (tem muitos museus, teatros, lugares históricos, cafés, restaurantes, cinemas, livrarias, galerias…), apesar dos argentinos não serem tão acolhedores (também por que a cidade vive repleta de turistas – principalmente brasileiros – o ano inteiro). E para compras, as coisas são caras. Convertidas, saem igual ou até pior que no Brasil. Isso depende também da cotação que você consegue na troca. Trocamos algumas vezes na rua, pegamos uma cotação melhor, e não tivemos problemas com notas falsas. Mas é um risco. Algumas vezes trocamos em casa de câmbio oficial e perdemos dinheiro.

E espere se surpreender. É sempre surpreendente. Aos poucos você descobre lugares, entra em salões, dobra em ruas e tudo fica mais encantador. É uma cidade pra saber aproveitar com calma. Sem histeria. Vale mais a pena ficar 2 horas num café vivendo a cidade do que sair correndo por todos os museus. E se conseguir, passe na Galeria Pacífico para ver um tango barato e original. É quando a surpresa, a literatura, o romance e a música da cidade fazem sentido. Tudo muito inspirador. Tudo muito Buenos Aires.”

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